A primeira visita em 1974


Na imagem acima, Michael e seus irmãos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Em sua primeira vez no país, ele posou para fotos com fãs e fez compras em lojas de São Paulo.

Michael Jackson pisou em solo brasileiro pela primeira vez em Setembro de 1974, acompanhando o grupo Jackson Five, durante uma turnê pela América Latina. Na época ele tinha apenas 16 anos, e eles se apresentaram em São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de se apresentar para a extinta Rede Tupi.

O vídeo que segue mostra cenas raras dos rapazes no programa de televisão, além de contar as histórias dos bastidores.

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Matéria do jornal Estadão em 13 de Setembro de 1974

''Os irmãos Jackson já não são apenas cinco! Randy é o sexto e Janet, a sétima. Toda a família Jackson - inclusive o pai, a mãe e um tutor - assistirão aos shows do Jackson Five, hoje e amanhã no Anhembi.

As famílias americanas de classe média têm o hábito de improvisar conjuntos domésticos. Cada um de seus membros toca um instrumento, e todos se reúnem aos domingos, na volta da igreja, ou à noite, antes ou depois do jantar. Foi seguindo esse esquema que a família Jackson iniciou o caminho do sucesso.

O Jackson Five é um conjunto familiar, formado por irmãos que tocam guitarra, piano, baixo, bateria e cantam. No princípio, os shows eram em casa, nós finais de semana. Só para a família. Depois vieram o entusiasmo e a participação em concursos de calouros. Diana Ross os descobriu e a Motown - uma das maiores gravadoras dos Estados Unidos - lançou e sustenta o sucesso dos irmãos Jackson. 

Hoje e amanhã, o Jackson Five - que pode se apresentar como six ou até seven - fará dois shows em São Paulo: o primeiro, às 21h, no Palácio das Convenções; o segundo, às 18h, no Pavilhão Anhembi.

O conjunto começou com cinco integrantes: Jackie, Tito, Jermaine, Marlon, Michael. Depois, veio Randy e agora está ameaçado de transformar-se em Jackson Seven, se a irmã caçula, Janet, começar a participar profissionalmente do grupo.

O profissionalismo da família Jackson começou pelo pai - Joe - que em 51 tocava blues em Chicago, onde também era contra-regra. A mãe nunca teve muita vocação para música, mas mesmo assim tocou clarineta na época do colégio. 

O grupo nasceu da liderança de Tito, hoje com 21 anos e casado com a filha do dono da Motown. Ele começou batucando no violão do pai e acompanhando as músicas tocadas nas rádios. Depois, passou para a guitarra, enquanto Jermaine se iniciava no baixo, Jackie no piano e Michael e Marlon se especializavam no coro.

Hoje, o conjunto funciona assim: Jackie - 23 anos - canta no coro, dança, é o coreógrafo do conjunto e ainda toca piano; Tito - 21 anos - comanda as guitarras e lidera o grupo; Jermaine - 20 anos - é o solista na "área romântica", toca baixo e ainda funciona como o galã do conjunto; Marlon - 17 anos - faz parte do coro, é o que mais dança e se preocupa com a coreografia; Michael - 15 anos - é a vedete do grupo: canta, dança e lidera as entrevistas; e Randy - 12 anos - o mais novo integrante do sexteto, toca tudo o que for percussão.

O Jackson Five, em sua viagem ao Brasil, vem com a família inteira, menos as duas irmãs mais velhas, que não participam no conjunto. Além do pai e da mãe, virá também um tutor, que sempre viaja com os meninos.

Apesar do sucesso de vendagem e da popularidade em todos os Estados Unidos, alguns críticos norte-americanos afirmam que o Jackson Five é um produto da "mágica da Motown". Isso porque a gravadora é a única que ainda mantém o esquema promocional hollywoodiano. 

Mesmo assim, os críticos fazem uma ressalva: "as músicas que dão a eles, são música pop, cantadas pelos pretos e os ritmos são os autênticos ritmos dos blues. Mas é necessário uma certa magia pessoal e especial, para que um menino de 16 anos como Michael cante com convicção uma música lírica."

Os ingressos para as apresentações do Jackson Five estão à venda no Anhembi, Lojas Hi-Fi de Discos (Augusta) apenas para o show de sexta-feira, às 21hs, no Palácio das Convenções. Os preços: Cr$ 180,00 - setor 1; Cr$ 140,00 - setor 2; Cr$100,00 - setor 3; Cr$70,00 - setor 3 de H a Q (preço para estudantes) e Cr$70,00 cadeiras extras no setor 3.

Para o show de sábado, às 18hs, no Parque Anhembi, o preço é único - Cr$20,00 e os ingressos estão à venda nos Ricks Iguatemi, Marconi, Largo do Arouche, Av. São João, Jumbo Aeroporto, Play Center e na Hi-Fi da Augusta.''

A matéria original


*****

HOTEL NACIONAL


The Jacksons Five nos estúdios da Radio Globo
no Rio de Janeiro [Brasil] em Setembro de 1974.


The Jacksons Five  no estúdio da TV TUPI
em Setembro de 1974


O depoimento do fã Orlando de Souza

''Estive com Michael Jackson em Brasília, e o ano de 1974 jamais será esquecido de minha mente, pois naquele dia eu, minha irmã Elenice e meu tio Samuel, falecido recentemente, tivemos um encontro inusitado com o Jackson Five.

Saímos do Núcleo Bandeirante (DF) rumo ao show de Jackson Five, que havia feito um show em sua turnê pelo Brasil. Naquele dia do show, a Rodoviária de Brasília recebia milhares de fãs que saiam dali a pé até o Ginásio de Esportes.

Por motivos que jamais saberemos, o aglomerado de pessoas seguia da Rodoviária rumo a Torre de TV de Brasília e nós resolvemos passar por entre os hotéis no Setor Hoteleiro Norte.

Não me lembro se eles estavam hospedados no Eron Brasília Hotel ou no Aracoara Hotel, como passávamos por entre os hotéis (em um percurso diferente da multidão), naquele tempo não havia os viadutos ligando a W3 Norte a W3 sul.

Ao caminharmos, observamos um aglomerado de negros a porta do Hotel com alguns birimbaus (nos disseram que haviam comprado na feira de artesanato da Torre de TV), e isso nos chamou atenção. Resolvemos, então, nos aproximar e, para nossa fantástica surpresa, eram os Jackson Five.

Como eu e minha irmã estudávamos inglês na época, não me lembro se na Cultura Inglesa ou no IBI (Instituto Britânico Independente), falávamos inglês, portanto passíveis de uma comunicação. Fomos bem recebidos pelo grupo e me lembro de ter conversado muito com o Jermaine Jackson, observando todos acomodarem seus pertences no ônibus que os levariam até o local do show. 

Foi uma experiência fantástica da qual até há pouco anos, que me lembro, minha irmã guardava os autógrafos de todos, me lembro muito bem de Michael Jackson, Randal e Jermaine que nos deram total atenção, pois havia muito tempo para o início do show.

Aquele foi, sem dúvida, um show especial para nós, pois a vinda do grupo ao Brasil era um acontecimento extraordinário, em virtude do grande sucesso que já tinham naquele tempo.

Lembro que por falta de alguns equipamentos que ficaram em Belo Horizonte e não chegaram a tempo em Brasília, o show foi cancelado, causando uma grande indignação aos presentes que apedrejaram o ônibus dos artistas, quando do anuncio do cancelamento e adiamento para o outro dia, pois o Jackson Five se deslocou ao Ginásio ainda assim, para dar satisfação aos presentes.

Aquele show teve uma fantástica apresentação e jamais esquecerei o momento do solo de percussão feito pelo Randall, quando o ginásio foi quase abaixo, Michael Jackson cantando divinamente junto com seus irmãos, foi fantástico.

Relutei em escrever esse texto, mas nesse momento me rendo às homenagens que o mundo todo está prestando àquele fenômeno da música pop, prematuro em tudo. Sou fã há muitos anos e fui testemunha da fantástica qualidade de seus shows, durante os mais de 35 anos de música que encantaram o mundo.

Agradeço a oportunidade de poder dizer que, um dia, em Setembro de 1974 eu, minha irmã e meu tio Samuel estivemos com o Jackson Five e Michael Jackson já era o astro rei naquela maravilhosa constelação de talentos.''






Transcrição da matéria acima: 

Matéria publicada na revista HIT POP em 1974
Jackson Five: ''Agora vamos sacudir o Brasil!''

''Eles já estão aqui! / O grupo vai dar cinco shows no Brasil, este mês, Você poderá vê-lo em São Paulo, Rio e Porto Alegre. E não se esqueça de levar o pôster e as letras que estão aqui ao lado!

Tito, Jackie, Jermaine, Marlon e Michael: os cinco irmãos Jackson prometem deixar o público brasileiro apaixonado.

Já está tudo prontinho para a quentíssima excursão do Jackson Five pelo Brasil. Dia 12 desse mês, os cinco irmãos desembarcam em São Paulo com uma equipe de 18 pessoas.

No dia seguinte, no Palácio das Convenções do Anhembi, dão o primeiro show da cidade. Dia 14, ainda em São Paulo, cantam no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Então viajam para Porto Alegre e cantam no Ginásio do Internacional [Gigantinho] dia 17.

E a excursão termina no Rio com dois tremendos shows no Maracanãzinho, dias 19 e 20. O empresário George Ellis, que investiu 800.000,00 cruzeiros na transação, está tranquilo: O Jackson Five, descoberto em 69 por Diana Ross, é um dos conjuntos de maior sucesso no mundo inteiro e seus shows são muito ouriçados.

E os meninos do grupo não deixam por menos. Para essa primeira excursão pelo Brasil, estão prometendo muito calor: ''Nós sacudiremos o Brasil. Vocês vão nos adorar mais do que imaginam.''


Transcrição da matéria acima: 

Entrevista publicada na revista HIT POP em 1974
''O lugar dos Beatles agora é nosso.''

Eles mostraram uma tremenda garra, cantando e dançando sem parar com uma vitalidade impressionante. Micael soltou a voz e provou que é mesmo um vocalista da pesada.

Os irmãos Jackson deram shows super quentes em São Paulo, Rio e Brasilia. No palco, eles são uma possante máquina de som. Fora, são garotos simples, tranquilos e bem-humorados.

O Jackson Five esteve no Brasil com força total. Michael [15 anos], Tito [20], Jackie [22], Jermaine [19], Marlon [18] e o caçula Randy [11] provocaram a maior zoeira nos palcos brasileiros.

Eles vieram com uma comitiva de vinte pessoas e trouxeram mais de seis toneladas de aparelhagem Seus shows em São Paulo[dois], no Rio [dois], em Brasilia [um] foram um barato, pois além de cantarem sucessos do grupo, eles mostraram um incrível entrosamento [adquirido em cinco anos de carreira]. dançando e se movimentando com agilidade e perfeição impressionantes.

A imagem que ficou é que o Jackson Five é uma bem regulada máquina de som e entretenimento, no melhor estilo dos espetáculos musicais americanos.

E como o índice de profissionalismo do grupo é bem grande, fora do palco os meninos são submetidos a rígidas regras de comportamento. Sempre acompanhados de seu pai e empresário, Joe e de Miss Rose Fine, uma senhora que cuida deles durante as viagens [além de musculosos guarda-costas], os irmãos Jackson , na medida do possível, mostraram a maior boa vontade e simpatia.

Não se grilaram com a gravação de um video-tape para a TV Tupi de São Paulo, que foi até de madrugada, por causa de problemas técnicos, nem com a correria dos fãs que queriam autógrafos, e muito menos com a desorganização geral que marcou suas apresentações no Brasil.

HIT POP bateu um papo com os meninos, quase às escondidas, procurando fugir das severa vigilância de Joe Jackson, que proibia seus filhos de falarem à vontade e dizerem o que pensavam. Vamos ao papo com J5.

Pop: Como é que vocês conseguem enfrentar a tremenda barra do show business com esse bom humor?

Jackie: Olha, o que nos salvou até agora é sermos muito unidos. Trabalhamos em família, o que evita muitos problemas e, além disso, temos muita consciência profissional e encaramos nosso trabalho com seriedade.

Pop: E os lances que todos os garotos curtem, como brincar, namorar, transar por aí com amigos? Sobra algum tempo para fazer isso?

Michael: Nós não somos um jardim de infância. Somos um conjunto de rock. Mas, mesmo assim, somos iguais a todo mundo. Nossa casa em Los Angeles vive cheia de amigos e o Randy adora tomar banho de piscina com o pessoal da vizinhança. Eu e o Jermaine gostamos de jogar basquetebol e de ficar transando som no estúdio. Em casa, cada um faz o que gosta, e a gente curte muito ficar lá inventando coisas.

Pop: E na escola, como é que é a barra? Vocês são comportados?

Marlon: Somos iguais a todos os garotos da nossa idade. Estudamos, tiramos boas notas [quase sempre], jogamos aviãozinho na sala de aula e curtimos as broncas das professoras.

Pop: Mas a escola não atrapalha um pouco a carreira do grupo?

Jermaine: Atrapalha, mas é um mal necessário, do qual a gente até gosta. A vontade de todos nós era cursar uma faculdade, mas vai ser dificil conciliar os compromissos do grupo com os estudos. Mas a gente vai fazer o possível para conseguir isso.

Pop: Mas como é que vocês vão à escola se estão viajando quase todo o tempo? E as faltas? Não tem grilo?

Randy: Nós resolvemos o problema, temos uma professora que sempre viaja com a gente e dá todas as aulas que a gente perde durante a viagem.

Pop: Vocês, que já cantaram nas grandes capitais do mundo, como é que sentiram a transa no Brasil?

Tito: Olha, a gente já viajou muito, cantou para públicos bem diferentes e viveu mil experiências. Aqui tudo correu muito bem. A gente estava com vontade de cantar no Brasil e procurou mostrar o melhor do Jackson Five. O público brasileiro é quente demais, dançou e cantou com a gente o tempo todo. A turma conhece todas as nossas músicas! Não sabíamos que éramos tão curtidos assim. Foi uma loucura!

Pop: Vocês se divertiram por aqui? O que vocês fizeram?

Jackie: Não deu tempo para fazer quase nada, mas só o mar e as praias do Rio já valeram a pena. São Paulo também nos surpreendeu: parece Nova York, principalmente quando a gente passeava de carro, à noite, pelo centro da cidade, e via todos aqueles luminosos e todas aquelas pessoas na rua... Quando sobrou um tempinho, a gente visitou oInstituto Butantã e fez algumas compras.

Pop: Por que vocês recusaram os cinco carrões que a KEP Produçõescolocou à disposição de vocês?

Michael: É que o ônibus é muito mais legal, pois leva todo mundo, e a gente fica mais à vontade. Dá para fazer um som e até ensaiar, o que é muito importante, pois nessas viagens não se pode perder tempo.

Pop: Tem gente que acha as músicas de vocês ''quadradas'', açucaradas e sem conteúdo. Como vocês definem o som do Jackson Five?

Marlon: Quem viu os shows que a gente deu aqui está sabendo das coisas. Se o nosso som fosse quadrado, a moçada não ia dançar o tempo todo e dançar daquele jeito. A gente levantou a poeira do chão e provou que o Jackson Five não é careta. Nosso rock é da pesada!

Pop: Quais são os planos do grupo para o futuro?

Jermaine: Nós queremos ficar cada vez mais unidos, aperfeiçoar o nosso trabalho e talvez aumentar o conjunto. Tudo isso para manter o nosso público que nos colocou no lugar dos Beatles. O lugar deles agora é nosso. A prova está na incrível quantidade de discos que estamos vendendo.


A segunda visita em 1993


Michael Jackson chegou ao Brasil pela segunda vez em 13 de Outubro de 1993, dando sequência aos shows de sua Dangerous Tour. Ele veio de Buenos Aires (Argentina) em um voo do Boeing 727 da Varig, que aterrissou no Aeroporto Internacional de Guarulhos (São Paulo).



Michael chegou acompanhado de alguns amigos e estava sendo aguardado no aeroporto por 1.500 pessoas, segundo cálculos da Polícia Militar, sob um calor de 37 graus.



Ao ser recepcionado, algumas crianças lhe entregaram flores, sob os olhos dos fãs e da imprensa. Essas crianças eram William, Bruna e Juliana e o cantor mirim Júnior (da dupla Sandy e Júnior).

O vídeo

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Um grupo de garotas conseguiu invadir a pista, mas foi contido pelos seguranças. O cantor percebeu e, protegido por um guarda-sol, chegou a uma distância de 50 metros do alambrado que separava os fãs da pista.

A visão do astro foi demais para a ansiedade da estudante Luciana Della Roveri, que escavou a terra para passar por baixo da cerca de arame. A fã ousada não andou mais de 50 metros, e foi contida pela guarda da INFRAERO.

"Eu queria tanto dizer pra ele que eu o adoro.Se conseguisse abraçá-lo, acho que desmaiaria", disse Luciana, enxugando as lágrimas na camiseta.

Em seguida, o Rei partiu em um furgão, rumo ao Hotel Sheraton Mofarrej, onde se hospedou em uma suíte presidencial.

Depoimento de um funcionário do hotel Sheraton

"Um dia tava a galera que trampa no hotel de madrugada lá de boa na cozinha do Sheraton [hoje o hotel é da rede Tivoli] e eis que aparece na porta da cozinha, de pijama de flanela, nada mais e nada menos do que o Senhor Michael Jackson!!

Ele chegou falando baixo e de modo tímido, quase não dava para ouvir sua voz. Ele olhou para todos com um ar de vergonha e disse: "Será que poderiam me arrumar um copo de suco de laranja?" Aí imagina, o pessoal ficou lá, de boca aberta, em choque. Imagina a cena...

Claro que deram, e ele simplesmente pegou o copo e sentou na bancada, balançando as pernas e ficou lá, com o povo olhando pra ele... O pessoal ficou pedindo pra ele cantar e ele só cantou um pedaço de Human Nature, estalando os dedos e balançando a cabeça. Quando ele estava começando a se soltar com todos, os seguranças o encontraram e ele subiu pro quarto novamente.

Michael era muito curioso e gostava de perambular por todos os hotéis onde ficava hospedado, e caminhava pelos corredores, às vezes, assustando o povo, que sequer imaginava que um astro Pop pudesse andar assim, no meio da madrugada sem seguranças!"

*Depoimento de Marcos, um dos funcionários do hotel Sheraton Mofarrej. A fotografia abaixo foi tirada por outro funcionário do hotel e ela não está relacionada ao mesmo momento descrito no depoimento.

Créditos do depoimento e imagem: Michael Jackson Rei dos Reis


No Hotel Sheraton

A vigília dos fãs em frente ao hotel

Integrantes da equipe compraram, a pedido do artista, uma mini-barraca de camping, quatro lanternas com baterias, oito pôsteres com fotos de crianças que foram afixados nas paredes da suíte, balões e revólveres que atiram água.

''Milhares de tietes venderiam a alma para esfregar o chão da suíte presidencial do Hotel Sheraton Mofarrej no lugar da arrumadeira Gildete da Silva Santiago. No último dia 14, chamada para acabar com uma meleca de balas e refrigerantes espalhada no recinto, ela passava um pano úmido pela principal sala do apartamento 2201.

Concentrada na tarefa, Gildete, 42 anos, tomou o maior susto de sua vida. Era ele! Depois de uma visita curta e tumultuada à fábrica de brinquedos Estrela, Michael Jackson resolveu voltar mais cedo. Foi aí que deu de cara com a arrumadeira. “Fiquei com tremedeira e uma vontade louca de abraçá-lo”, lembra a funcionária, que recebeu do ídolo um sorriso de recordação. “Ele é uma gracinha, nem parece de verdade.”

Enquanto batalhões de admiradores mantinham um incansável plantão na porta do hotel, sonhando com um simples aceno da janela (um garoto mais ousado tentou invadir o prédio pela tubulação do ar e acabou preso no almoxarifado), os empregados do Mofarrej tiveram seus fugazes privilégios. Poucos dos 160 funcionários, é verdade, conseguiram ver o cantor de perto.


Durante seu cinco dias de permanência em SP, os seguranças montaram uma barreira intransponível na porta do elevador com acesso à suíte que ocupa todo o 22 andar. Lá, nos 750 metros quadrados, o equivalente a 14 quartos normais – são 2900 dólares a diária - Michael e as três crianças que o acompanham pelas viagens da turnê Dangerous bebiam refrigerantes, empanturravam-se de doces e brincavam dentro de uma pequena cabana de camping, que ele mesmo mandou comprar.

Por causa dessa distância, quem chegou perto do hóspede inacessível faz questão de exibir o troféu. O mordomo Pedro Biasa, 24 anos, circulava na semana passada com a foto tirada ao lado de Michael. “Levanta o moral aparecer com ele”, exultava o funcionário, um dos únicos a conseguir essa graça.

Se não quis posar para muitas pessoas, ao menos o cantor deixou vários souvenirs no hotel. Os objetos serão doados à Santa Casa de Misericórdia, que deve leiloá-los em breve. Ele esqueceu na suíte – ou jogou fora – uma camiseta e um pé de meia usado. Deixou também uma toalha de mesa em que rabiscou um rosto, escreveu Heal the World e assinou seu nome.

O pintor Salvador Dali tinha igualmente o costume de desenhar em toalhas de bares e restaurantes. Às vezes, a levava embora, às vezes a deixava lá mesmo como forma de pagamento da conta. Michael Jackson presenteou a sua ao hotel, mas seus assessores acertaram as despesas na saída. Entre diárias e serviços de quarto, as setenta pessoas da sua comitiva desembolsaram mais de 100.000 dólares na caixa do hotel.


Na suíte ocupada pelo astro, já dormiram, entre outros, a cantora Tina Tuner e o ex presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev. Trata-se de um complexo com três suítes, duas salas, um escritório e uma cozinha. Ali, a diária mais barata gira em torno de 300 dólares. “Hospedar gente do nível de Michael Jackson ajuda a divulgar nossos serviços e a qualidade do apartamento presidencial”, considera Alan.

Essa propaganda teve um preço. As telefonistas do hotel quase ficaram loucas com o número de trotes. A cada minuto, eram feitas até seis chamadas de fãs que imaginavam ser possível falar com Michael Jackson. Muitos se identificavam com nomes de pessoas famosas.

“Xuxa” ligou incontáveis vezes. Assim como sua empresária "Marlene Mattos”. Um anunciou-se como assessor do presidente Itamar Franco. Outro imitou o vozeirão do prefeito Paulo Maluf. Claro que os truques não funcionaram. Os quatro ramais instalados no apartamento 2201 estavam bloqueados. Duas linhas diretas, uma delas para fax, foram instaladas na suíte.

A encarregada de telefonia Rose Santos, 33 anos, era uma da únicas pessoas com acesso ao número, de prefixo 253, que fazia soar o aparelho na cabeceira do cantor. Certa noite, a telefonista bilíngue não resistiu à tentação. Ligou para lá, dizendo ser uma fã. Conversaram durante 2 minutos. “Ele tem uma voz infantil”, conta Rose, que tremia ao telefone. “É supersimpático, perguntou minha idade e se eu iria ao show”.

Houve quem chegasse mais perto ainda. Na noite de sábado, véspera do último show na cidade, a lavanderia do hotel recebeu um lote de roupas da suíte presidencial. Para Vera Helena Pereira, 37 anos, uma das funcionárias do departamento, não havia dúvida da procedência daquelas sete camisetas, três pijamas, dois pares de meia e quatro cuecas. “É lógico que eram do Michael”, assegura. 


Certos hábitos do cantor decepcionaram quem esperava no mínimo uma bolha de isolamento dentro do quarto. Michael Jackson trouxe a São Paulo um cozinheiro particular, o italiano Sadhana Khalsa, mas não pediu nada de outro mundo no cardápio. Sua dieta básica era frango e batatas fritas, acompanhado de arroz japonês.

Como qualquer ser humano, na noite do dia 16 descuidou-se e trancou o quarto com a chave dentro. A supervisora de andares, Maria Ferreira de Oliveira, 46 anos, foi convocada para resolver o problema. 

Encontrou-o sem maquiagem e de cabelos presos. Vestia um singelo pijama azul-marinho, com estampa de bichinhos. “Fiquei trêmula, não sabia o que fazer, diz Maria, que lembra ter escutado um thank you pelo seu trabalho. ”Se eu falasse inglês, pediria um autógrafo naquela hora, lamenta-se. Fica para a próxima.''

(A matéria acima foi publicada na revista Veja em 1993)


No PlayCenter

Michael aproveitou a estadia em São Paulo para visitar o parque de diversões PlayCenter. Por volta das 14 horas, a administração do parque recebeu a informação de que ele viria e, após os acertos, quatro seguranças chegaram minutos antes, para verificar se estava tudo certo. Em poucos minutos, Michael chegou ao parque, acompanhado de quinze pessoas de sua equipe e mais três crianças.


Como a notícia havia vazado, muitos jornalistas e curiosos se aglomeraram na entrada principal do parque e eles tiveram que entrar pela entrada que ficava na Rua Rubens Meirelles, próxima a Montanha Encantada.

A direção do Playcenter convocou doze funcionários para acompanhar Michael e operar os equipamentos. O Enterprise foi o primeiro a ser escolhido por Michael, onde ele tirou o chapéu e os óculos pela primeira e única vez, durante a visita. Sempre falando pouco e com a voz baixa, ia escolhendo os brinquedos juntamente com as crianças que o acompanhavam.

O segundo foi o La Bamba, e na seqüência, a Casa dos Monstros, Ciclone, Tornado, Barca Viking, Trabant, Alpen Blitz, Gigantona, Labirinto, Montanha Encantada e Sombras Mágicas.

Segundo funcionários que o acompanharam, Michael Jackson foi bem discreto e educado, agradecendo ao operador cada vez que saía dos equipamentos, e demonstrou grande satisfação pela Montanha Encantada, atração da qual ele saiu aplaudindo.


Durante sua visita, ele pediu música dos Beatles e foi prontamente atendido. Depois, tocaram sua própria música, a pedido de uma das crianças.

Já próximo das 22:30 hs, antes de sair do parque, Michael pediu algumas das frutas do antigo stand de caramelados, que foram encaminhadas, no dia seguinte, ao hotel em que estava hospedado.


O Playcenter foi o primeiro grande parque de diversões de São Paulo, sendo inspirado nos parques das grandes cidades dos E.U.A. e da Europa. Situado em uma área de 85 mil m², o parque recebia cerca de 1,6 milhão de pessoas anualmente. O Playcenter encerrou suas atividades no dia 29 de julho de 2012 para uma reforma no parque.


O vídeo de Michael no PlayCenter

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A história do acidente

O que era pra ser uma simples visita para compra de brinquedos por Michael Jackson na fábrica de brinquedos Estrela, no Parque Novo Mundo, Zona Norte, acabou com o atropelamento de quatro pessoas, causado pelo intenso tumulto em torno das vans da comitiva de Michael.

Perto das 20:30hs, Michael Jackson chegou ao portão da indústria em sua comitiva composta por três vans e escoltadas por uma viatura da ROTA. A equipe de segurança tinha tudo planejado para sua visita ao showroom da Estrela e posteriormente, realizar compras na loja exclusiva dos funcionários.

Mas ninguém esperava que a presença do cantor iria chamar tanta atenção, levando centenas de pessoas para a porta da fábrica. Isso fez com que Michael desistisse da visita. Depois que os carros entraram na fábrica, tamanha era a expectativa e o tumulto que se formou no portão que a comitiva decidiu abandonar o local.

Na saída, a confusão aumentou, com as pessoas querendo ver Michael de qualquer maneira, e os furgões foram cercados. Na estratégia de saída rápida, o furgão, para não colidir de frente com uma viatura da PM, acabou atropelando Marcio Alberto de Paula (15), que caiu sobre o capô da viatura da polícia. Ao jogar o veículo para o outro lado, o motorista atingiu sua irmã Renata Eliana de Paula (14) e dois jornalistas do SBT.

O repórter Carlos Cavalcanti e o cinegrafista André Copázio tiveram pancadas no ombro e joelho, respectivamente, e após serem medicados na Clínica Voluntários, foram liberados.

O vice-presidente da Estrela, Carlos Tilkian, atônito com os acontecimentos, lamentou que Michael Jackson tenha desistido da visita. Segundo ele, a diretoria da empresa tinha sido consultada às 18:30hs e preparou tudo, desde a renovação do estoque de brinquedos como a parte de segurança interna, pois naquele horário, 800 funcionários estavam trabalhando.

"É uma pena, estava tudo sob controle dentro da fábrica e nós nem sequer tivemos contato com ele, que entrou, viu a presença do público do lado de fora e foi embora", concluiu.

Michael teria 315 tipos de brinquedos à sua escolha que, segundo o diretor da fábrica, ele queria comprar para distribuir às crianças carentes.

A visita ao hospital

A garota Renata não sofreu nenhum ferimento grave, mas seu irmão, Márcio acabou quebrando a perna e teve que passar por uma cirurgia, no dia seguinte. Michael, então, decidiu visitar o garoto no hospital.


Márcio, hoje formado como jornalista, recorda: “Eu não tinha ideia. Ninguém me avisou. Eu não sabia que ele ia lá. Então, eu estava normal, assistindo à televisão, e ele abre a porta e entra. Eu não imaginava.”

Vendo o vídeo, o jornalista lembra que quase chorou no momento. “Foi uma emoção. Para mim, foi muito bacana. Foi uma atitude extremamente generosa da parte dele.”

A família inteira de Márcio acompanhou o encontro, que também teve seus momentos de portas fechadas. “Ele pediu para o pessoal sair do quarto. Aí, ele perguntou como é que tinha sido o acidente, falou que ele não queria que aquilo tivesse acontecido e pediu desculpas”, lembra.

Márcio ainda conta que não conseguiu falar nada. “Não pedi autógrafo, esqueci. Depois que a equipe saiu, ele tirou o óculos, ficou à vontade e brincou. Ele meio que deu uma dançada lá dentro do quarto, uma coisa assim. Ele ficou à vontade.”


Com Renata, irmã de Márcio

O ortopedista Fernando Miele da Ponte foi um dos médicos que receberam Michael no hospital. A delicadeza de Michael foi mais marcante que a aparência exótica.

“Uma pessoa supereducada. Ele me passou que era uma pessoa do Bem, mesmo. Deu autógrafos para todo mundo. Não discriminou quem era médico, quem não era, os auxiliares, as copeiras. Ele conversou com todo mundo naquele dia."

Para Márcio, a mais profunda recordação que ficará não é a da poderosa estrela da música. “Naquele momento de intimidade, o que deu para captar foi a fragilidade dele”, declara.

O vídeo com as imagens da visita e depoimentos

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Comprando filmes

Após a visita ao garoto Márcio no Hospital, Michael comprou cerca de trinta filmes, entre os quais Perfume de Mulher, na locadora Black & White. A conta, de valor não revelado, ficou para ser entregue no hotel.

A paixão pelos uniformes

Segundo Odair Badoya (da DC-Set) Michael Jackson adorou o uniforme do 2o. Batalhão de Choque da PM. O uniforme é cinza com botas e bonés pretos. Consta que Michael se apaixonou pelo uniforme da ROCAM (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas), equipe do batalhão que escoltou Michael Jackson do aeroporto ao hotel. Lhe foi prometido um uniforme igual nas sua medidas: tamanho médio, número de sapato 42 e cintura 71 cm.






[Curiosidade] O estilista Michael Bush revelou que a braçadeira da ROCAM (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas) de SP [Brasil] serviu de inspiração para que Michael criasse um adereço que ele usou na época do álbum HIStory.

Na primeira imagem, Michael fotografou com o quepe da policia {Brasil 1993]. Na segunda imagem, ele apareceu com a nova braçadeira durante uma conferência de imprensa em NY, para anunciar o MTV Award 1995.

A jaqueta esquecida no Brasil


Quando Michael Jackson esteve no Brasil em 1993, ele esqueceu uma jaqueta no carro de Marcelo José da Cunha - o motorista que transportou Michael durante a sua estadia em São Paulo.

''Só depois da partida de Michael é que me dei conta que ele tinha esquecido a jaqueta'', disse o motorista. A relíquia hoje vive com o cover brasileiro Rodrigo Teaser, que contou:

“Em 2009, encontrei pela internet a pessoa que tinha ficado com a roupa e ele estava negociando a venda com uma grande empresa. Eu insisti muito, até que ela se comoveu e me deu. Sem cobrar nada. Ela disse que acreditava que talvez essa jaqueta realmente tinha que ficar comigo, pela paixão que eu tenho pelo Michael.”





A operação envolvendo os equipamentos para o show

Os equipamentos para os show da Dangerous Tour no Brasil lotaram dois aviões, sem contar um terceiro avião destinado a transportar toda a equipe.

Tudo chegou à meia-noite de quarta feira no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, trazida por dois Antonov 124, de fabricação russa, o segundo maior avião de carga existente (o maior é o Antonov 225, dentro do qual cabe um Boeing 737).

O equipamento foi transportado na madrugada, em 28 carretas, até o Estádio do Morumbi. Segundo Luis Braga, responsável pela operação de descarregamento e transporte, foi seguramente o maior equipamento de show trazido ao Brasil, superando o de Paul Mccartney, trazido num Jumbo 747 e num DC-8, em Abril de 1990.

A operação demorou três horas, envolvendo 158 homens: 50 carregadores do aeroporto, 40 membros da produção de Michael, 10 fiscais de pista, 30 tripulantes (a maioria russos ou ucranianos) e os 28 motoristas.

A participação das crianças nos shows

A produção do show doou 100 ingressos de pista para a AME - entidade que atende crianças faveladas e menores de rua que vivem na Praça da Sé.

Também foram selecionados, na favela do Benfica, nove meninos que faltavam para preencher o elenco de vinte crianças que iriam participar dos shows de Michael Jackson no Brasil.

Crianças da Casa de Maria e da favela Benfica

As crianças do Orfanato Casa de Maria e os meninos da favela Benfica acompanharam Michael Jackson na canção Heal The Word, vestindo roupas típicas de vários países. Todas ensaiaram o número, antes do show.


A DC-Set chegou aos meninos da favela Benfica, localizada sob a ponte da Vila Maria, através da assistente social Sônia Boguzinskas. "Este convite foi o melhor presente que essas crianças poderiam ter ganho no "Dia das Crianças", diz Sônia.

Os shows

Os dois shows da Dangerous Tour foram realizados nos dias 15 e 17 no Estádio do Morumbi. Os ingressos foram esgotados. Cada show durou duas horas e vinte minutos e reuniram, juntos, mais de 200 mil pessoas. Os fãs ficaram estarrecidos com a superprodução, que contou com fogos de artifício, canhões de luz e laser, além de uma tela gigante de cristal líquido, uma novidade na época.












Um vídeo com grandes momentos do show

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Outro vídeo com cenas raras do show

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Na imagem acima, a cantora mirim Sandy participou da canção, interpretando os sinais da linguagem surdo-mudo para o público. Aos 28 anos de idade, ela postou no Twitter: ''Um dos momentos em que eu mais tremi na base! Errei quase todos os sinais que eu estava fazendo... grande ídolo!''

As garotas que subiram ao palco

* Eliane Santos - a secretária (21) foi a escolhida para subir ao palco, abraçar Michael e ganhar um beijo dele na face direita, durante a música She's Out Of y Life. Segundo Eliana, quando uma mulher da produção do espetáculo apontou para ela, falando com um segurança, ele nem acreditou:

"Foi um pouco antes de a música começar. Não sei porque ela me escolheu", disse ao final do show, ainda muito emocionada. ''Eu fiquei pertinho dele, Meu Deus, que cheiro bom ele tem. Foi tudo muito rápido e maravilhoso."

* Marlene de Almeida - a atendente de pizzaria (28) também viveu uma noite de Cinderela, durante o show de Michael - e ainda ''roubou'' seu lenço!
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Um grupo de fãs encontra com Michael nos bastidores

Com Brett Barnes

O Brasil na capa do álbum HIStory

Na página 17 do encarte do CD HIStory de MJ, tem a reprodução da capa do Caderno SP do Jornal da Tarde. publicada no dia 13 de Outubro de 1993. Na imagem, um garoto segura o jornal, imagem provavelmente flagrada por um dos fotógrafos de Michael.


Um executivo da Epic disse que Michael provavelmente gostou muito desta foto, e que fazia parte dos planos de colocar uma foto de cada lugar da Dangerous Tour. O título foi trocado, segundo ele, para ficar com uma linguagem internacional.



Lembranças da Dangerous Tour



Com a chegada da Dangerous Tour ao Brasil, a Pepsi, patrocinadora master da turnê, relançou o álbum Dangerous com um encarte novo. A edição promocional trouxe na capa o logotipo da turnê, um item raro e indispensável para fãs colecionadores.



























A equipe contratada para a montagem do palco da Dangerous Tour



A terceira visita em 1996


A terceira vez que Michael Jackson esteve no Brasil foi em Fevereiro de 1996. Ele gravou o vídeo da canção They Don't Care About Us, no Pelourinho, em Salvador e no Morro Dona Marta, na cidade do Rio de Janeiro.

Sob a direção de Spike Lee, o vídeo TDCAU expunha as feridas da pobreza do Rio de Janeiro, mostrando o cenário pobre, aos pés do Cristo Redentor, sempre escondido pelas fotografias turísticas da cidade. Depois de pronto, o vídeo passou a mostrar os contrastes que dividem o Rio. De um lado, o luxo dos prédios debruçados sobre a lagoa. Do outro, barracos pendurados sobre rios de esgoto e lixo.


O Pelourinho em Salvador (BA)

Fevereiro de 1996 - A primeira etapa de gravação foi feita no Pelourinho, bairro da capital Salvador, na Bahia. O Pelourinho possui um conjunto arquitetônico colonial barroco português, preservado e integrante do Patrimônio Histórico da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.


O Olodum

Fundado como bloco afro carnavalesco em Salvador em 1979, a Banda Olodum é atualmente um grupo cultural, considerado uma organização não-governamental e reconhecida como de utilidade pública pelo governo do estado da Bahia. 


Ela também desenvolve ações de combate à discriminação social, estimula a auto-estima e o orgulho dos afro-brasileiros, defende e luta para assegurar os direitos civis e humanos das pessoas marginalizadas, na Bahia e no Brasil. Esse foi a banda escolhida por Michael Jackson para participar do vídeo TDCAU.

Por cerca de uma semana antes da data de Michael Jackson estava para chegar, cerca de 200 homens e mulheres do Olodum se reuniram, à noite, para os ensaios com os tambores.

No dia anterior à chegada de Michael, houve uma conferência de imprensa realizada na "Casa do Olodum" com Spike Lee, o diretor do vídeo. 

No dia seguinte, os tambores começaram a bater às sete horas da manhã, e seguiram até as 23 horas. Michael chegou ao meio-dia, acompanhado das crianças da família Cascio. Após duas sequências dele dançando sozinho, Michael filmou a seqüência final do dia, em que ele dançou na frente, como Olodum na parte detrás, batendo seus tambores.

Flagrantes de fãs

Sheila Oliveira pôde abraçar Michael, em Salvador (BA)


O cover brasileiro Adelmo Jackson
e outros fãs junto ao hotel

O Morro Dona Marta (RJ)

Ao encerrar as gravações no Pelourinho, Michael partiu para o Rio de Janeiro. Ele viajou em um avião comercial pela Varig, acompanhado pelos seus seguranças e pelas crianças da família Cascio. O editor da Globo, Marcelo Senna, estava no mesmo voo e contou ter estado bem próximo de Michael durante a viagem.
O depoimento completo se encontra aqui

Michael dentro do avião

Já no Rio de Janeiro, Michael fez um voo panorâmico ao redor da estátua do Cristo Redentor.





Antes de gravar o vídeo no Morro Dona Marta, a equipe de Michael Jackson teve que pedir autorização ao líder do tráfico local. Na época, a autorização dada pelo traficante gerou polêmica. O diretor do vídeo, Spike Lee, argumentou: ''Fiz a coisa certa. A polícia não poderia garantir a nossa segurança ou a de Michael Jackson."

Além da permissão para entrar no morro, Michael foi recebido com uma faixa pendurada, que continha a seguinte inscrição:

Welcome to the world, not the wonderful but the humble world of the poor people. (Bem-vindo ao mundo, não o mundo maravilhoso, mas o mundo humilde das pessoas pobres.)


Michael caminhou livremente pelos becos, sempre acompanhado por 60 homens - que teriam sido selecionados pelo tráfico. O governo estadual da época não queria que o vídeo fosse gravado, pois temia que ele denunciasse a pobreza do local e mostrasse as falhas do governo.

Michael Jackson ficou 5 horas e 45 minutos no morro, duas delas, se preparando em um camarim improvisado. Não seguiu o roteiro (de ficar apenas na laje) e andou pelas vielas, subiu e desceu escadas nos becos.

No fim da tarde, Michael trocou o helicóptero que o levou à favela por uma van e aproveitou para passear pela Lagoa Rodrigo de Freitas, localizada na zona sul do Rio de Janeiro.

A Lagoa Rodrigo de Freitas

O depoimento de uma fã

A jornalista Claudia Silva, que se diz realmente fã de Michael Jackson, ficou sabendo que o diretor Spike Lee havia proibido a entrada da imprensa no morro.

"Eu não conhecia o Morro Dona Marta. Fui na véspera, para bolar um plano para entrar no dia seguinte. Estava calor, e uma senhora perguntou se eu queria água. Entrei na casa dela e contei que eu era jornalista, e a filha dela disse que se eu quisesse, poderia ficar lá. Era uma família que estava no morro há muito tempo. 

Desci, liguei para o jornal dizendo que havia conseguido lugar para ficar, peguei roupa, celular, dinheiro para pagar a 'hospedagem' e fui dormir no morro.''

Todo mundo sabia que havia repórteres lá, e teve uma grande "varredura". Pessoas do próprio morro foram contratadas por Spike Lee para não deixar nenhum jornalista por lá. Foram batendo de porta em porta, mas a dona da casa em que Claudia estava, disse que ela era uma prima.

"Fiquei em um quarto pequeno. A casa estava em obras, e improvisaram uma cama para mim. Ouvia o pessoal passando o tempo todo, do lado de fora. Expulsaram todos os jornalistas. Coloquei um short, camiseta e um tênis e fiquei andando pelo morro, como se fosse namorada do dono da casa. Não dava medo, não era que nem hoje, mas era adrenalina pura estar ali."

Michael Jackson chegou de helicóptero no campo de pouso, no alto do morro.

"Fiquei em cima da lage para ver a chegada dele. Vi quando ele desceu, sem máscara, e passou muito perto de mim, a menos de um metro. Um sósia estava atuando o tempo todo, mas nesse momento era ele mesmo. Fiquei nervosa. Pensei nessa hora: é o meu ídolo, eu vi Michael Jackson!"

O cantor foi para um largo com um belo visual da cidade, onde foi filmado a maior parte do vídeo.

"Fiquei entre as casas, vendo a filmagem, de longe. Não tinha ninguém da imprensa além de mim. Cerca de uma hora depois, começaram a chegar fotógrafos, que conseguiram entrar, além da repórter Glória Maria, da Rede Globo. 

Michael desceu as escadarias e foi na associação de moradores do morro, falou com as pessoas, pegou um bebê no colo e deixou uma boa impressão. Apesar de sua excentricidade, ele teve um momento muito humano, muito natural. Mesmo com o mega esquema, ele andou pelas ruelas, não fez nenhum ato do tipo 'estou com nojo, com medo de bactérias', coisas que a gente poderia imaginar.''

A jornalista destaca como uma "experiência maravilhosa" estar lá e ver como as pessoas se comportaram e a atitude do cantor. Todo mundo acordou cedo e limpou sua calçada para receber a ilustre visita. Os moradores pareciam orgulhosos de estar recebendo o astro.

"O melhor foi que a família que me acolheu são meus amigos até hoje. Eu nuca mais perdi essa família. Sempre mantive contato com eles, desde então. Mesmo quando morei em Londres mandava cartas. Ganhei uma família de amigos, muito especial mesmo!"

Os depoimentos de Glória Maria


Os depoimentos da repórter Glória Maria da TV Globo, que teve acesso a Michael: 

"Comigo, as coisas não são normais. Eu não entrevistei Michael Jackson, foi ele que me entrevistou. Eu o acompanhei quando gravou na Bahia e fiquei negociando para ver se ele falava comigo. Estávamos no Pelourinho e Michael viu o carinho do povo comigo, então, disse que conversaríamos no Rio.''
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* Em 2009, Glória Maria deu um segundo depoimento e falou sobre o que ambos conversaram, quando ficaram a sós.  
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A segunda versão do vídeo TDCAU

De volta aos Estados Unidos, Michael, pela primeira vez na carreira, fez uma segunda versão para um de seus vídeos musicais; A nova produção tinha como cenário uma prisão americana e foi gravada em estúdios de Nova York. 

Michael e Spike Lee na gravação da segunda versão
Esta versão se tornou mais conhecida nos EUA e Europa. A VH1 e a MTV tiveram a permissão para transmitir o vídeo, restrito para depois das 21h, devido às imagens fortes, o que levou a MTV americana a retirar o vídeo de sua grade de programação.



A estátua no morro Santa Marta

Em 2010, uma estátua de bronze de Michael Jackson foi erguida no mesmo local onde ele gravou cenas do video TDCAU. A obra, produzida pelo artista plástico Estevan Biandani, retrata o cantor com o mesmo visual do vídeo em 1996: óculos escuros, camisa rasgada e os braços erguidos.


A laje também ganhou um mosaico do cantor, feito pelo artista plástico Romero Britto. O espaço, que antes já era chamado de Laje Michael Jackson, recebeu o nome do cantor oficialmente.


Mais imagens


Com as crianças da família Cascio


















Mostrando seus discos de platina pelas
vendas do álbum HIStory no Brasil







Rio de Janeiro. Após um longo dia de gravações do TDCAU,
Michael ensina a Marie Nicole e Dominic um jogo de cartas


Com Alex Gernandt, editor-chefe da revista Bravo (Alemanha)



Subindo o Morro Dona Marta com as crianças Cascio


Fazendo compras em Ipanema. Michel comprou
brinquedos e distribuiu para as crianças do local



O crachá de identificação na fictícia prisão 
da versão norte-americana de TDCAU



A fotografia usada por Michael Jackson no seu cartão de
identificação durante os bastidores de They Don't Care About Us.

[Nota deste blog: tive dúvidas quanto a veracidade 
desta informação, de qualquer forma, fica aqui registrado]









































*Veja aqui mais imagens do vídeo TDCAU*

Uma seleção de 11 vídeos registrando 
a presença de Michael Jackson no Brasil

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Fontes de pesquisa: 
http://mueap.com.br http://forevermichael.forumeiros.com http://orlandosouza.wordpress.com http://brasil93.zip.net http://www.mjforumforever.com http://www.new.divirta-se.uai.com.br http://itsallforlovebrasil.blogspot.com.br http://www.iaradocarmo.com.br http://neverland.ativoforum.com http://musica.uol.com.br http://www.jblog.com.br http://www1.folha.uol.com.br http://pt.wikipedia.org http://offthewall.forumeiros.com
http:// MJBeats.com -  Michael Jackson O Rei dos Reis   **Imagens do meu arquivo